A superioridade militar de Israel sobre adversários no Oriente Médio tem sido notável nos últimos 18 meses, especialmente após os últimos ataques do Hamas.
O país desencadeou uma extensa operação terrestre em Gaza no último domingo (18), além de uma intensa campanha aérea que, segundo autoridades de saúde locais, matou mais de 100 pessoas durante a noite e fechou o último hospital em funcionamento no norte do território.
No entanto, essa “vantagem” no campo de batalha pode encontrar limites inesperados, não na linha de frente, mas em Washington, disse o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit em entrevista ao programa WW, da CNN.
Rudzit analisa que a busca por uma “nova hegemonia israelense” na região, como mencionado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está alterando percepções e cálculos geopolíticos.
Essa “busca” israelense pode estar afetando até mesmo os planos do primeiro-ministro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, segundo Rudzit.
O professor avalia ainda que uma hegemonia israelense desenfreada não é do interesse do reino saudita, e que, no momento, o país árabe busca estabilidade na região para atrair investimentos cruciais para o programa de modernização econômica.
Essa dinâmica se estende a outras nações do Golfo, que também almejam diversificar as economias para além da dependência do petróleo, responsável por grande parte das receitas e do PIB.
O especialista destaca que, diferentemente da Rússia, que tem uma dependência limitada da China, Israel depende fortemente dos Estados Unidos. Bônus de 150% até R$3.000 + 100 giros grátis Bônus de boas-vindas 100% até R$500
Essa relação entre os países pode ser um fator determinante para impor limites à atuação israelense na região de Gaza.
Rudzit aponta o presidente americano, Donald Trump, como a figura-chave capaz de estabelecer limites à atuação de Israel.
O professor observa que até mesmo as comunidades judaicas nos EUA começam a criticar a postura do governo Netanyahu, indicando uma possível mudança na opinião pública americana.
A análise sugere que, apesar da força demonstrada no campo de batalha, a realidade geopolítica e as alianças internacionais podem impor restrições significativas às ambições hegemônicas de Israel.
A dependência dos EUA e a crescente preocupação com a estabilidade regional podem ser fatores decisivos para moldar o futuro do Oriente Médio.



